Amores Possíveis

Piter, o engenheiro francês, chega todo dia entre 18h e 19h, esquenta algum prato que compra na rua e vai jantar em seu quarto, onde sua esposa o espera. Ela está em Londres e, provavelmente, toma um chá com torradas para acompanhá-lo, afinal, lá é madrugada de um inverno gelado e com muita neve.

O skype proporciona o encontro todas as noites e é testemunha de longas conversas, regadas a boas risadas, alguns sussuros indecifráveis e silêncios cheios de uma palavra que eles desconhecem, mas está ali, encravada nas pausas e suspiros: saudade.

Observando Piter de longe, vejo a minha própria versão de “amor possível”. Esse sentimento que se apropria da tecnologia e de todas as incríveis brechas do nosso tempo, para vencer as horas, a distância, as estações do ano, os modelos pré-estabelecidos… O amor que vai além da presença, ainda que a deseje ardentemente.

Quando o outro está longe, meus olhos tornam-se também os seus olhos, que se encantam com o que ele gostaria de ver, que captam, através do celular ou da memória, os momentos que ele amaria vivenciar. E eu levo em mim todas as histórias e detalhes para lhe contar, para trazê-lo ao meu mundo, ainda que ele esteja sempre comigo.

Nessa nova forma de amor, quanto mais eu me expando, mais ele cresce em mim. E estar longe é só mais um motivo para querer ficar sempre perto. “Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha/Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho“. E os versos de Pablo Neruda nada tem a ver com compartilhar cômodos ou cama, mas a vida, que segue vibrante e ampla em nós dois.

Imagem escrito: O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia

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Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

4 comentários sobre “Amores Possíveis

  1. Ah, o amor…gigante…pesado ou leve…permeado por lembranças e muita vida, mediada por uma tecnologia. Santo, Skype!!

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