Permita-se – Uma noite de diversão e balada em São Francisco

Tirinha de papel com fotos impressas, Talita e amiga chinesa.

Lembrança de uma tarde feliz :)

Entrar de penetra, aceitar um convite, experimentar novos sabores e fazer caretas para fotos podem transformar o seu dia. Porque boas histórias surgem em segundos de distração dos seus escudos e guarda.

Foi assim no Zoo de San Francisco, quando me deixei guiar pelo encantamento de Milhy, a chinesa panamenha que tem um tucano e um esquilo de estimação. Ela, no alto de seus 19 anos, fez com que o parque, que é lindo, ficasse mais divertido, contando histórias de seu país, me assustando na casa dos leões, ensinando o nome dos bichos em espanhol e aprendendo em português.

No metrô, foi a vez de Ethan, de Taiwan, que é o homem mais bem vestido que eu já conheci, me convidar para ir a um Club à noite, com a turma de coreanos, um libanês e mais um brasileiro. Aceite, pra surpresa dele, que também quis se certificar que eu não teria problemas com meu marido por conta disso. “Eu vou para dançar, ele sabe” , respondi, omitindo que, na verdade, eu ia mesmo é para observar.

Antes do Club, porém, já tinha combinado de beber vinho e comer queijos na despedida da Vanessa, médica brasileira que só pode passar 2 semanas com a gente. Eu, ela e Marques fomos até o Ferring Building, que estava fechado para uma premiação gastronômica.
O que poderia frustar o passeio, acabou o transformando em um programão e, o melhor, gratuito.

Fizemos “cara de dono”™, trocamos algumas palavras com o segurança (wine, Brasil, go) e entramos de penetra. E jantamos quitutes maravilhosos de todas as regiões da Califórnia: queijos, embutidos, pães, geléias, chocolates, bolos… Eu, que sou brasileira e sei da “larica pós-balada”, coloquei até alguns bombons na bolsa. “Mimimi é ruim porque representa mal o Brasil”, bobagem! Quando você é educado e até interage com as pessoas do evento, falando sobre restaurantes brasileiros, como o Mocotó e o Dom, não há problema algum.

Mesa com mais de 10 metros lotada de quitutes feitos com embutidos

Os embutidos e queijos mais gostosos eram os da região Oeste

Devidamente alimentada, fui encontrar com Ethan e sua turma para irmos à balada. Na entrada do hostel, nosso ponto de encontro, já deu para notar que eu iria destoar no Club. Enquanto as duas coreanas estavam com vestidos curtos e justíssimos, maquiagem pesada e salto alto, lá estava eu com minhas botas, calça jeans preta, camisa colorida e bolsa do Pacman. Não me intimidei, afinal, estava com olhos lindos com rímel e lápis :P

O Club era na região da Union Square, mas se encaixaria perfeitamente no Itaim, com suas dançarinas gostosas, áreas reservadas, drinks caros e luzes LEDs. Felizmente, o som era extremamente bom, a pista bem ventilada e o público de nacionalidades diversificadas, o que tornou a experiência bem interessante.

Chegamos às 23h e as pessoas quase não dançavam, só repetiam aquele ritual bizarro de ficar andando de um lado para o outro. Eu e o outro brasileiro, que sabemos para que serve o nosso quadril – ainda que tenhamos dificuldades para usá-lo -, começamos a agitar o nosso grupo. Kin, o sul-coreano que gosta de revistas de moda, entrou na dança, mexendo frenéticamente seu corpo pra frente e pra trás.

Mulher com soutien, calcinha e meia calça sexy, sobre um palco de bar, dançando.

Dança gatinha, dança…

Não demorou muito para as interações sociais, leia-se paqueras, começarem. Primeiro, um outro coreano, que não sabia que eu era casada, tentou ser simpático comentando “você é brasileira, deve ser uma bailarina, dance pra mim”. Mostrei a aliança e disse “Hoje não, Faro“. Brincadeira, expliquei que era casada e preferia dançar sozinha.

Como eu não era, nem de longe, a mulher mais sensual da balada, tive a sorte de ser abordada apenas por homens com interesses em comum. Cerveja, por exemplo, 2 homens vieram me dizer que amavam mulheres que bebiam cerveja no lugar de drinks coloridos. Achei trabalhoso explicar que eu era alérgica à corantes, então sorri e sai andando. Adoradores de videogames e de “mulheres grandes” também tentaram se aproximar, em vão.

Todos os homens do meu grupo, sem exceção, poderiam ficar com meninas se quisessem, principalmente depois da meia noite, quando a maioria virou fruta madura, caindo de bêbadas ou de carência. Essa combinação explosiva de homens jovens e, muitas vezes, na fase “donos do mundo”, e meninas vulneráveis resultou em algumas cenas sexuais e deprimentes. Felizmente, não no meu grupo. Apenas Ethan e o libanês ficaram com alguém e de uma maneira “aceitável”.

Bombons sobre um guardanapo escrito "Good Food Merchants Guide"

Bombons que fecharam de forma doce a minha noite

O pobre Ethan, que além de bem vestido é super bem educado, se deu mal ao aceitar as investidas de uma oriental miúda, também muito elegante, com um vestido azul até o joelho e um colar de pérolas. Ela, que o puxou para dançar e ficou sensualizando, após conseguir beijá-lo, virou a Felícia e não desgrudou mais do rapaz, que ficou visivelmente desconfortável com a situação, mas sem jeito para dar um perdido.

A pista começou a esvaziar às 2h, quando as áreas vip e dark rooms ficaram lotados. Hora de uma mulher casada e bem intencionada, como eu, ir pra casa andando, comendo os chocolates da premiação, rindo das fotos com Milhy e prestando atenção nos pedestres cabaleando, na pequena lua no céu…

Capa do ebook Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio Clique aqui e conheça o livro Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

3 comentários sobre “Permita-se – Uma noite de diversão e balada em São Francisco

  1. Parabéns pelo trabalho! Você realmente tem talento pois faz com que a viagem se torna real para quem está lendo. Gostei muito desse pois fala sobre algo que todos nós amamos “queijos, embutidos, pães, geléias, chocolates, bolos…”.
    E na verdade queria fazer um pedido, por favor fale sobre mais alguma coisa bacana da gastronomia, alguma receita típica ou qualquer outra coisa =D Please?!?
    Bjo

  2. Tááááá, to adorando vc se jogando na vida!
    Quero essa mesma Talita quando vc voltar. XD
    hahahaahahah

    te amo =)

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