Porque você deve viajar enquanto é jovem – e depois também

Esta é a tradução do texto de Jeff Goins, publicado originalmente no site Converge Magazine, traduzido por Ana Campos e compartilhado por Sara Martinez. E eu amei tanto, que resolvi edita-lo um pouquinho e publicar aqui no blog. Leiam, de coração e mente abertos. As fotos que ilustram o post são de viagens que fiz e que me fizeram ser quem eu sou <3

Homem vendo a vista de um dos cerros em Bariloche

“Enquanto escrevo isso, estou voando. É uma coisa incrível: estar suspenso no ar, se movendo a 2000 milhas por hora – enquanto leio uma revista. Incrível, não é?!

Acordei três da manhã. Bem antes do sol nascer, éramos 30 pessoas, lotamos uma van e viajamos durante duas horas para o aeroporto de San Juan. Nossa viagem havia terminado. Era hora de ir para casa. Mas estávamos transformados.

Enquanto me sento, esperando a aeromoça trazer o meu ginger ale, estou pensando sobre porque viajo. Na noite anterior, eu me lembrei porque faço isso – porque acredito que viajar faz valer a pena todos os desafios.

Estava fazendo uma viagem de missão em Porto Rico. Depois de um dia de trabalho, enquanto dirigíamos de volta para a igreja, uma das jovens levantou uma questão:

Você acha que eu deveria fazer faculdade ou me mudar para África?

Não acho que ela estava falando comigo. Na realidade, tenho certeza que ela não estava. Mas isso não me impediu de dar minha opinião.

Eu disse para ela viajar. Sem desculpas. Apenas vá.

Ela suspirou, balançou a cabeça e disse: “É, mas…”

Eu já escutei esta desculpa antes e não a aceito. Conheço muito bem o “É, mas…”. Já o pronuncei muitas vezes. Estas palavras parecem inocentes, mas são fatais.

É, mas…

… E as dívidas?
… E meu trabalho?
… E meu namorado?

Essas frases são letais. Parece que temos as melhores das intenções, quando, na verdade, estamos muito assustados para fazer o que devemos fazer. “É, mas…” é uma permissão para sermos covardes, parecendo nobres.

A maioria das pessoas que esperam para viajar o mundo, nunca o fazem. Por outro lado, muitas pessoas que esperaram para fazer uma pós-graduação ou conquistar um emprego estável, conseguiram após terem viajado.

Homem andando pelo Deserto do Atacama no pôr do sol

Isso me fez lembrar o Dr. Eisenhautz em um vestiário masculino.

Dr. Eisenhautz era um professor alemão da minha faculdade. Eu não estudei alemão, mas era um aluno de intercâmbio, então nós nos conhecíamos. Isso explica porque ele sentiu a necessidade de puxar conversa comigo às seis da manhã.

Eu estava prestes a começar a malhar e ele havia terminado. Estávamos no vestiário masculino. E foi, pra dizer o mínimo, um pouco estranho – dois caras barbudos conversando enquanto estavam pelados.

“Você vem sempre aqui?” ele perguntou. Eu poderia ter dado risada.

“Hum, é, acho que sim”, eu disse, enquanto limpava a remela dos meus olhos.

“Isso é ótimo”, ele disse. “Ótimo”.

Eu suspirei, mas não estava prestando atenção. Ele já havia tomado sua dose de adrenalina e eu ainda esperava pela minha. De alguma forma, mencionei que eu e um amigo estávamos fazendo academia há um tempo, três vezes por semana.

“Ótimo”, Dr Eisenhautz repetiu. E então, ele soltou uma das coisas mais profundas que eu já escutie na minha vida:

“Os hábitos que se formam na juventude estarão com você para o resto de sua vida”

Virei a cabeça, arregalei os olhos e olhei para ele, deixando as suas palavras mergulharem em minha mente. Ele acenou com a cabeça, disse um tchau rouco e saiu. Eu estava surpreso.

Essas palavras ecoaram em minha mente pelo o resto do dia. Mesmo após anos, elas ainda me assombram. É verdade – os hábitos que você forma na sua juventude, provavelmente, irão te acompanhar para o resto de sua existência.

Já vi isso acontecer repetidamente. Meus amigos que bebiam demais na faculdade, bebem em maior quantidade hoje. Antes, nós chamávamos isso de “curtir”. Agora é um nome menos glamuroso: alcoolismo. Tenho outros exemplos. O pessoal que transava sem cuidado com várias pessoas, hoje tem bebês e casamentos infiéis. Aqueles sem ambição, continuam nos mesmos trabalhos sem graça.

pintor em museu de San Francisco“Nós somos aquilo que fazemos repetidamente”, Aristóteles disse uma vez. Eu não quero parecer muito melancólico e acredito que sua vida pode se transformar a qualquer momento, mas há uma lição importante nesta frase: a vida é o resultado de hábitos intencionais. Então, decidi fazer as coisas que eram mais importantes para mim em primeiro lugar, não por último.

Depois de me formar na faculdade, entrei para uma banda e viajamos pela América do Norte durante nove meses. Tocamos em escolas, igrejas e prisões. Até passamos uma mês inteiro em Taiwan fazendo uma turnê (éramos famosos).

Por conta do nosso baixo orçamento, costumávamos ficar na casa de algumas pessoas. Durante o jantar ou em alguma conversa no final da noite, sempre surgia a declaração que eu temia. Como estávamos conversando sobre a vida na estrada – os desafios de longos dias enfiados em uma van – alguns adultos bem-intencionados diziam “É ótimo que vocês façam isso… enquanto ainda são jovens”.

Ai. Essas últimas palavras – enquanto vocês ainda são jovens – parecia que esmagavam limões nos meus olhos (aliás, essa é uma sensação que eu já senti). Elas cheiravam a lamentação de meia-idade. Odiava aquela frase.

Eu queria responder,

“Não, isso NÃO é ótimo enquanto ainda sou jovem! Isso é ótimo pelo resto da minha vida! Vocês não entendem. Isso não é algo que estou fazendo para matar o tédio. Isso é o meu chamado! Minha vida! Eu não quero o que vocês querem. Serei sempre um aventureiro.”

Em um ano, entrarei na casa dos trinta. Hoje percebo como eu estava errado. Apesar da conotação negativa daquelas palavras, havia sabedoria nelas.

Quando envelhecemos, a vida nos cobra. Independente do que fazemos, sempre teremos mais responsabilidades, dívidas, mais obrigações. Isso  não é só ruim. Na verdade, em muitos casos isso é muito bom. Significa que você está influenciando pessoas, deixando um legado.

A juventude é um momento de fortalecimento. Você começa a fazer o que quiser. Quando amadurecer e ganhar novas responsabilidades, você tem que ser muito sábio e não perder de vista o que é realmente importante. A melhor maneira de fazer isso é focar e investir em sua vida, para que você possa definir quem será em seus últimos anos.

Eu escolhi viajar. Não para ser um turista, mas para descobrir a beleza da vida – para me lembrar que não estou completo.

Talita Ribeiro sorrindo em frente a torre eifelNão há nada como andar de bicicleta em frente à Golden Gate Bridge ou ver o Coliseu ao pôr do sol. Eu gostaria de poder pintar um quadro para você saber como são incríveis as montanhas da Guatemala, ou como é demais aparecer em um programa da TV italiana. Mesmo as fotografias que tenho de Niagara Falls e nos campos do meio-oeste americano, não fazem justiça a essas experiências. Eu não posso te dizer quão bonito é o sul da Espanha visto a partir da janela de um trem, você tem que experimentar. Só vendo para acreditar.

Enquanto você é jovem, deve viajar. Você deve ter tempo para ver o mundo e experimentar a plenitude da vida. Passe uma tarde sentado em frente ao Michelangelo. Ande pelas ruas de Paris. Escale o Kilimanjaro. Percorra a trilha dos Apalaches. Veja a Grande Muralha da China. Quebre o seu coração pelos “campos de morte” do Camboja. Nade através da Grande Barreira de Corais. Estes são os momentos que definem o resto de sua vida, eles são as experiências que ficarão com você para sempre.

Viajar muda a sua vida como poucas coisas podem mudar. Viajar vai te colocar em lugares que te forçarão a pensar em questões muito maiores. Você vai começar a entender que o mundo é, ao mesmo tempo, muito grande e muito pequeno. Você terá mais respeito pela dor e sofrimento, visto que dois terços da humanidade lutam para simplesmente garantir uma refeição a cada dia.

Enquanto você ainda é jovem, ganhe cultura. Conheça o mundo e as pessoas maravilhosas que nele vivem. O mundo é um lugar deslumbrante, cheio de obras de arte. Veja.

Você não vai ser sempre jovem. E a vida não será sempre apenas sobre você. Então, viaje, jovem. Experimente o mundo. Torne-se uma pessoa de cultura, aventura e compaixão. Enquanto você ainda pode.

Não desperdice esse tempo. Você nunca vai tê-lo novamente. Você tem uma oportunidade crucial para investir na próxima temporada de sua vida. Tudo o que você semear, colherá. Os hábitos que formamos nessa fase, ficarão com você para o resto de sua vida. Então, escolha sabiamente esses hábitos.

E se você não é tão jovem como gostaria (alguns de nós), viaje mesmo assim. Pode não ser fácil ou prático, mas vale a pena. Viajar permite que você se sinta mais ligado aos seus companheiros, aos seres humanos, de uma forma profunda e duradoura. Em outras palavras, viajar te torna mais humano.

Isso é o que as viagens fizeram por mim.”

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Precisa dizer mais alguma coisa? Qual é a sua próxima viagem?

Capa do ebook Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio Clique aqui e conheça o livro Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

30 comentários sobre “Porque você deve viajar enquanto é jovem – e depois também

  1. Estou refletindo até agora sobre tudo que li no texto, sobre as frases de incentivo. O “mas” atrasou a minha vida e muito, estive planejando viajar e raramente o fiz. Porém tudo que eu fiz sem planejar, acabou acontecendo de maneira maravilhosa.
    Seu texto é fantástico.

  2. A inspiração do texto é linda, e tudo escrito é perfeito se não fosse por alguns detalhes.

    Para viajar é preciso de DINHEIRO. Para se ter dinheiro é preciso TRABALHAR. Então acho que na verdade não é simplesmente decidir, ligar o “foda-se” e partir… Eu queria muito ter feito um intercâmbio cultural durante a faculdade, ou logo que sai dela, MAS… acabei optando por ter o meu primeiro trabalho.

    O importante é nunca perder o foco e a ideia transformadora que é VIAJAR. Trabalhe, junte o seu dinheiro e vá viajar. Ache o amor da sua vida e… viaje com ela.

    O segredo é aproveitar e saber que nada cai do céu. Trabalho, foco e viaje muito!

    Abraço e ótimo texto!

    • Perfeitamente. Pra quem já tem um bom dinheiro na vida pode até ser fácil sair viajando por aí, e quem nao gostaria disso. Agora com que dinheiro um jovem de 20 anos que precisa trabalhar pra ganhar a vida vai se sustentar viajando pelo mundo? Como vai poder ir até Paris? Na realidade as coisas são bem diferentes

      • Olá, Mike!
        Ninguém precisa ir até Paris para viajar ou sair do seu próprio continente, país, estado… tudo isso está sim condicionado ao dinheiro que a pessoa tem disponível, porém, não a vontade de conhecer novos lugares. Você pode começar a viajar através de revistas, livros, sites, filmes… E, a medida que for trabalhando e conseguindo juntar dinheiro, traçar roteiros que caibam no seu bolso, tempo e realidade. Há várias formas de fazer viagens mais baratas, tô até pensando em escrever um post sobre isso amanhã. Só para você ter uma ideia, quando eu fui a primeira vez à Paris, gastei R$2400 divididos em 5 parcelas. Eu não era rica, não morava na casa dos meus pais, usava – como ainda uso – transporte público, tinha 20 e poucos anos e estava no primeiro degrau da minha carreira. Mas eu queria realizar aquilo e fui a melhor profissional que consegui naquele ano, para garantir um bônus anual que poderia ou não receber, de acordo com o meu desempenho.
        É nisso que as viagens são essenciais, elas dão sentido aos desafios, nos motivam a querer ir além, não só geograficamente, mas também profissionalmente, para garantir que no futuro a gente tenha mais condições e oportunidades. É muito mais sobre isso o texto, do que sobre só “viver de viagens”. Eu começo a viajar quando desejo conhecer um novo destino, pesquiso informações sobre o local, acompanho a oscilação nos preços da passagem, fico paquerando casas em que eu gostaria de ficar… o deslocamente físico é só uma parte da viagem, não é ela toda :)
        Só para te provocar, termino meu comentário com um “Na realidade as coisas podem ser bem diferentes”.

        • Concordo em mais que 100% com você Talita.
          Alias, escrevi um post no meu blog sobre como ter uma experiência internacional sem gastar tanto dinheiro e sem sair da sua cidade. Pra quem quiser ler as minhas dicas, elas estão aí: http://wp.me/3PH3D. Mas o blog esta em Inglês.
          Sou viciada por viagens e por questões de visto tive q ficar 7 meses a viajar. Encontrei varias formas de satisfazer a minha vontade de culturas diferentes. Dinheiro eh um “eh, mas…” Sim. Alias, eu tb to querendo escrever sobre isso. Há muitas formas de viajar,as se eu começar vai levar horas…
          Sim as coisas sempre podem ser diferentes.

        • E também tudo tem a ver com as escolhas que você faz na vida. Eu tenho 20 e poucos anos, início de carreira também, e escolhi ter experiências como essa a ter “coisas”. Ao invés de ter um super celular do momento, ou sustentar um estilo de vida de aparências, escolhi guardar o dinheiro para viajar nas férias. É bem simples, pode demorar um pouco, mas vale muito mais a pena.

        • Talyta, me identifiquei muito com seu comentário! Sempre, quase todos os dias eu acompanho preços de passagens, hoteis, casas de lugares que sonho em conhecer.
          Não sou rica, trabalho, meu salário não é lá aquelas coisas, mas depois das minhas prioridades (comprei meu primeiro imóvel, agora comprarei meu carro) sempre tentei fazer pelo menos uma viagem por ano.
          Uma economia aqui, tira dali, sempre viajei. Acho que este é o dinheiro mais bem gasto, que proporciona mais prazeres na vida.
          Este ano farei minha primeira grande viagem. Vou para o México. Outras vezes fui para Argentina e por aqui no Brasil mesmo.

  3. O texto reflete muito o momento que estou passando e me orgulho de ver que vou fechar 2013 com 3 grandes viagens que sempre sonhei em fazer e aproveitando ao máximo o auge dos meus 22 anos. Quando comecei a trabalhar “de verdade”, por volta dos 20 anos, comecei a economizar para poder comprar um apartamento, trocar de carro, etc. Passei pouco mais de um ano economizando e, naturalmente, sem viajar. Por causa disso no início do 2013 me dei o luxo de ir para NYC por impulso após uma promoção de passagens ida+volta por R$900(impulso mesmo, comprei para viajar na semana seguinte) e fui. Foi uma das viagens mais loucas, mal planejadas e legais que já fiz na minha vida, inclusive eu estava lá no mesmo período em que você e o Marco também estavam mas com um detalhe: eu não sabia que estava frio, levei uma mala repleta de bermudas, camisetas e nada de casacos. Hoje isso rende boas histórias mas na época foi dolorido! rs. Aprendi e pensei sobre muitas coisas nessa viagem, uma delas sobre esse lance de “esperar”. Será que vale mesmo a pena me privar desse momento em busca de bens materiais? Um carro? Um apartamento? Decidi que o que eu preciso é de dar aproveitar o máximo do mundo enquanto ainda jovem e sem muitos compromissos/responsabilidades. Não sei como vou estar daqui 10 anos mas sei como estou e o que quero hoje, e eu quero viajar. Meu carrinho mas fiz uma boa revisão e vai aguentar mais alguns milhares de kms e eu não preciso ter tanta pressa pra sair da casa dos meus pais. Fico feliz de poder dizer que minha próxima viagem é para o Reino Unido, em Novembro, e que hoje aproveitei outra promoção para ir já em março para Paris, como vou fazer para juntar dinheiro para a segunda eu começo a pensar depois que voltar de Londres. Ao menos lugar pra dormir lá eu tenho rs

    • Tb concordo com vc Eduardo. Tudo eh uma questão de prioridades. Eu nunca tive um carro no Meu no Brasil. Mas ja estive em 30 países e repeti alguns. Nunca me importei c roupa de marca e essas coisas. Meu primeiro salário eu usei p pagar meu curso de inglês q meus pais não podiam pagar. Nunca esqueço: R$90 por mês. Dai fui so juntando e deu no q deu. Hj moro em Sydney e nunca vou parar de viajar

  4. Não tem grana ??? então arrume tempo e conheça os pontos turisticos/interessantes de sua cidade… grande abraço viajante

  5. Concordo plenamente com as observaçoes do Leandro e do Mike, a mensagem do texto e linda, mas um pouco fora da realidade dos jovens e dos nao tao jovens ou aposentados. O previlegio de sair por ai viajando, infelizmente sao para poucos. Mas nada impede de todos sonharem com viagens, ai nao custa nada

  6. Aos 27 anos, eu larguei meu emprego e juntei meus trocados pra passar 3 meses na Alemanha. Ja tinha mochilado pela europa e pelo sudeste da Ásia, mas queria uma experiência maior. Na verdade, nunca soube explicar o que me motivava a viajar, eu simplesmente sentia! Sentia uma vontade enorme de conhecer o mundo e uma satisfação imensa em respirar novos ares! Acabei de voltar para o Brasil desempregada e (ainda) sem planos mas posso garantir que voltei outra pessoa e não me arrependo nadinha de ter aberto mão de comprar um carro pra poder viajar.
    Esse texto é sensacional e traduziu lindamente o que eu nunca consegui expressar!

  7. Devo dizer que estou bastante engrandecido, depois que li esse maravilhoso texto, simplesmente maravilhoso, ainda sou jovem tenho 20 anos mais realmente nao irei perde mais tempo.

  8. Quando eu estava no 2. grau o professor de literatura brasileira quis me fazer entender José de Alencar a partir do Rio de Janeiro. Eu disse que nuca tinha saído do Paraná até então. Isso me marcou tanto que disse a mim mesmo que quando tivesse economias faria as minhas viagens além do PR. Um pouco do que já fiz está no blog.
    Parabéns pelo post, eu já tinha lido no Jeff, mas vc clareou mais ainda.

    • Acredito que quando você realmente quer fazer uma coisa, você luta por ela e consegue.

      Eu não sou de família rica, mas sempre trabalhei. Fiz o que a maioria faz, trabalhava durante o dia todo pra pagar a faculdade e as continhas, a noite ia pra faculdade. Semana toda assim. Fim de semana, quando não estava estudando, era programa de universitário mesmo… alugava DVD de filme 7 por $5, comprava um sangue de boi de 5 litros e salgadinhos a granel (Elma Chips era luxo), e rachava entre a galera de 4 a 6 pessoas. Quando estávamos um pouco melhor, ou tinha algum evento especial, como aniversário, fazíamos um churrasquinho de contra filé, previamente programado. Tudo isso porque sentia necessidade de economizar, me resguardar para o futuro. Isso era minha prioridade no momento. O pouqinho que eu conseguia economizar, já era uma alegria para mim. Terminei a faculdade com 23, e até hoje com 26, nunca tive um carro meu. Sempre dependi de caronas e transporte público. Nunca me imaginei saindo do país, apesar de sempre ter sonhado.
      Pois foi quando surgiu a oportunidade de fazer meu intercâmbio para a Austrália por 9 meses. Depois da primeira vez, tudo muda. Sua mente, seus objetivos de vida, suas prioridades. Não foi a toa que depois de 1 ano e 4meses no Brasil, decidi e consegui voltar. Agora tudo diferente, já estou com planos pra fazer meu primeiro mochilão na Ásia por 7 países, tudo que com o esforço e economia do meu trabalho “hard work” por aqui.

      Só estou contando tudo isso, porque pra mim tudo isso era fora de realidade, assim como a maioria pensa. Mas eu acredito que tudo seja uma questão de estabelecer prioridades. Estando aqui, a gente vê quem quer consegue. Casais, pessoas com mais de 50 anos, mães solteiras com filhos, mães que largam os filhos pequenos no Brasil (isso eu não faria), pessoas que largam cargos altos em grandes empresas… tudo pelo tão sonhado intercâmbio.
      Quando sua prioridade é outra, a viagem fica mesmo em segundo plano. Mas daí não vale reclamar.

      Outra coisa, eu acredito que tenha tempo certo para tudo. Não adianta botar os pés pelas mãos (é assim que falam?). Dinheiro é necessário sim, portanto, planeje-se para o que é importante para a sua vida.

  9. Amei o texto. Tenho mais de 40 anos e desde antes dos 20, penso assim e comecei minha caminhada pelo mundo. Minhas viagens abriram meus horizontes (Europa, Oriente Medio, Africa, Asia, America do Sul). Pura verdade a frase ““Os hábitos que se formam na juventude estarão com você para o resto de sua vida”. Nunca fui rica e nem precisei de muito dinheiro para realizar esses sonhos. Sendo simples, fiz e faço minhas viagens até hoje ! Economia, boas escolhas, dicas e muita vontade e claro..SAUDE…é tudo o que precisamos !

  10. Adorei o texto, moro no centro oeste, um de meus sonhos, era de conhecer o mar, na casa dos vinte anos, entrei num busão para um encontro da UNE em campinas-SP e de la fui para Caraguatatuba, sem hotel ou albergue reservado, com apenas 40R$ e ainda a responsa de ter arrastado a namorada junto, foi a melhor viagem que já fiz. Acredito muito na seguinte frase: “Quem quer dá um jeito, quem não quer arruma uma desculpa” discordo somente das “limitações” não acredito que exista idade para fazer nada, concordo que fazer certas coisas quando se tem 20 anos é melhor ou mais facil tipo escalar uma montanha aos 20 e pouco é melhor que aos 60, mas devemos para de nós impor “limites” uma outra boa é a seguinte: “o céu é o limite” então não deixe a vida lhe corromper você acaba ocupado demais com opnião alheia, com responsabilidade de casa, carro e filhos e acaba não fazendo nada. liberte-se.

  11. Olá li a sua matéria e fiquei muito encantada!Infelizmente eu tenho que colocar um mas,estava com tudo ajeitado, passaporte, as contas na ponta do lapis,bem no final desse ano faria um pedido a empresa para que me deixasse partir. O meu maior sonho é conhecer outros lugares, novas culturas, aprender a pronúncia do inglês, infelizmente fui mandada embora do meu emprego de tantos anos, e com um certo probleminha de saúde. Terei que esperar mais um pouquinho, isso não me tirou o meu foco, não posso deixar que esse mas me sufoque, espero adquirir maiores informaçoes com alguém como você com essa bagagem maravilhoso. Obrigada aguardo notícias breve

    • Olá, Maria! É isso mesmo, não desanime! Guarde o dinheiro, cuide da sua saúde e, enquanto isso, pesquise sobre os destinos que deseja conhecer, monte roteiros, mapas… enfim, já “mergulhe” em sua próxima viagem! Tenho certeza que isso ajudará em sua recuperação e fará com que você aproveite melhor os destinos. Quando decidir para onde embarcar, conte com o blog para te dar dicas :)

      Beijo

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