Que seja doce

Duas latas de leite Moça e uma caixa de chocolate do Padre

Vim pra gringa, mas trouxe uma parte doce do Brasil <3

Brigadeiro é saudade. Não há tradução para o docinho, nem para o sentimento que nos toma quando estamos longe de casa, seja ela um local, uma pessoa ou um sonho. Casa é o que nos abriga.

Trouxe na mala expectativas, medos, desejos, duas latas de Leite Moça e uma caixa de Chocolate do Padre, só para garantir que seja doce. Faltou a manteiga, a forminha e o granulado. Encontrá-los não é fácil na terra do Brownie, do Muffin e do Cookie. Mas o jeitinho brasileiro fala mais alto e a forma de cupcake dá lugar a um brigadeirão, com gotinhas de chocolate meio amargo o cobrindo.

A saudade faz o tempo de preparo parecer infinito. O cheirinho de chocolate me leva à casa da minha mãe, na véspera do meu casamento. Poucas horas antes da cerimônia, fiz 3 panelas do docinho e ganhei de presente uma minibola de queimadura na mão direita. Foi para dar sorte e me arrancar sorrisos ao lembrar dessa história, meses depois, na minicozinha de um apartamento compartilhado em San Francisco.

Ao mexer a colher de pau, penso nas pessoas que experimentarão brigadeiro pela primeira vez. Fico ansiosa para saber o que acharão. Mas o brilho do doce na panela não faz juz ao brilho nos olhos de Safira, a atendente mexicana da rotisseria, que abre um sorriso imenso ao receber o seu “regalo”. “I love Chocolate!”, exclama ela agita, “love, love brazilian chocolate”. Ao saber que fui eu que preparei, Safira decide retribuir: sai do caixa, toma o lugar do cozinheiro e monta a minha salada, “com feijão, porque você gosta e te lembra o Brasil”.

No lar californiano, Piter e Peter, que não são irmãos apesar dos nomes e beleza compartilhada, também descobrem o novo “sweet dessert” e tornam-se ainda mais gentis. Querem saber das minhas histórias de viagem, de como está o curso, porque vou mudar de apartamento e até se oferecem para trocar de quarto comigo, caso eu decida ficar.

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Na escola, o brigadeiro abre fronteiras e faz Abu Nazir me elogiar e se interessar pelas coisas do Brasil. Não só ele, como também o sulcoreano Rasdu, o chinês Kin e a doce Milhy. Mas é no coração e paladar dos brasileiros que o docinho desperta as maiores sensações. Marquez, o mineiro-paulista que está muito gripado, conta animado: “sem brincadeira, vou dizer uma coisa para vocês, após comer o doce, comecei a me sentir bem e fiquei até mais disposto”. Não duvido, brigadeiro faz carinho por dentro. E parece despertar o que há de melhor em nós, mesmo naqueles que não conseguem pronunciá-lo.

Viva o Bergadero, o Breigader, o Bigadero e todas as variações dessa doce saudade! :)

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Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

5 comentários sobre “Que seja doce

  1. Que seja doce… 7x pra dar sorte!
    Acabo de ler seu e-mail com as trilhas sonoras pra embalar minhas trilhas… Te responderei mais tarde!
    Te amo, beijos!

    • É por isso que eu estou tão bem aqui, Mi! Porque sai do Brasil amparada por um mundo de afeto (e açúcar), das minhas amigas e amores. :)

      Obrigada pelo carinho, atenção, amor e palavras, sempre!

      Beijo

  2. Pingback: Retrospectiva de uma sonhadora inofensiva | Viagem e Voo

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