Quem tem medo da imigração? E preguiça de tirar o visto?

Capa protetora de passaporte com passaporte dentro

Você está decidido a embarcar em um intercâmbio, mas fica #chatiado só de pensar na documentação e imigração? Respire fundo, é possível lidar melhor com essas burocracias.

Na hora de escolher o destino leve em conta o tempo que você gastará para tirar a documentação e nunca emita a passagem ou pague integralmente o curso e hospedagem antes de ter uma resposta definitiva (e positiva) do consulado, além de uma data prevista para a entrega do seu passaporte, já com a autorização. Sim, em muitos casos você precisa de um documento da escola confirmando que irá mesmo estudar lá, mas isso não está condicionado ao pagamento integral do curso, apenas de uma parte, que pode ser devolvida (descontando taxas), caso aconteça algum imprevisto e você não consiga embarcar.

Consulados podem informar toda a documentação necessária para tirar o visto, assim como o tempo gasto para a emissão, porém, se preferir, você pode contar com a ajuda de despachantes ou operadoras/agências.

E se eu já tiver o visto de turista, preciso tirar o de estudante? Depende do país que você escolher e da carga horária do curso. Nos EUA, por exemplo, quem estuda até 20 horas por semana não precisa tirar o visto especial, já quem opta por cursos mais intensivos é obrigado a apresentar o F1. Além disso, os estudantes do segundo grupo devem pagar o I-20 (US$200), uma taxa extra “em favor dos programas de intercâmbio do governo americano”.

Uma coisa que eu notei e, sinceramente, fez com que me sentisse meio boba por ter corrido atrás do F1, é que as escolas aqui aceitam que os alunos fechem antecipadamente um curso de apenas 20 horas, entrem com o visto de turista e, após chegarem nos EUA, paguem a diferença e mudem para o semi-intensivo ou intensivo. Assim, sem burocracia ou esforço algum.

Mas o visto de estudante abre portas e dá descontos, por isso eu não me arrependo de tê-lo tirado. Sim, o visto aqui vale como uma carteirinha de estudante e você entra pagando menos em museus, exposições, parques… Tá, a menos que você vá à programas culturais todos os dias, não conseguirá descontar o dinheiro que investiu nele, mas ai entra uma vantagem importantíssima: fica muito mais fácil passar na imigração. Basta apresentar o passaporte/visto e, no caso dos EUA, o documento do I-20, que o agente já sabe que você está ali para estudar, logo, não é obrigado a conseguir entendê-lo ou responder às questões padrão. No meu caso, só tive que dizer qual era o meu destino final (fiz conexão em NY). O mesmo aconteceu com outros colegas de classe, de nacionalidades diversas.

E se o agente de imigração encrencar comigo?

Dica 1: assim que sair do avião,vá rápido para a fila da imigração, quanto menos tempo você ficar esperando, mais fácil será segurar a ansiedade e não cair em uma roubada bem comum…

Dica 2: Não mexa no celular. Deixe-o desligado, sem chance de tocar qualquer despertador ou fazer algum barulho. Se estiver em turma, tente ser o mais discreto possível.

Dica 3: separe os documentos importantes, isso quer dizer passaporte, documento de entrada no país preenchido (que é distribuído no avião) e alguma outra autorização referente ao visto de estudante em mãos!

Dica 4: não entregue comprovantes de hospedagem, de voo, de transfer e etc. ao agente de imigração, a menos que ele peça. Isso pode irritá-lo e alongar esse momento tenso de forma desnecessária.

Dica 5: se você não sabe falar a língua oficial do país, providencie uma cartinha, que pode ser escrita à mão e em inglês, explicando a razão da sua viagem, quanto tempo ficará, em qual hotel e quanto dinheiro está levando para se manter.

Dica 6: não minta. Se você não entendeu a pergunta, peça para repetir, responda da forma mais breve e objetiva possível e, se precisar de ajuda, sinalize, o agente pode chamar um intérprete ou algum outro passageiro na fila, que esteja disposto a intermediar a conversa.

E relaxe! Em momentos de crise econômica, como o que vivemos, todos os países querem mais é receber turistas/estudantes dispostos a investir seu valioso dinheirinho e tempo.

Este é o terceiro post de uma série com dicas práticas para quem quer fazer um intercâmbio. O primeiro aborda como começar o planejamento e o segundo é sobre passagem aérea, hospedagem e seguro viagem. Como, mais uma vez, eu me empolguei escrevendo, publicarei em breve um quarto e último (prometo!) sobre Câmbio e Traslado. Se quiser que eu encaixe mais algum tópico, sugira agora ou cale-se para sempre. Brincadeira, pode sugerir depois também ;)

Capa do ebook Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio Clique aqui e conheça o livro Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

14 comentários sobre “Quem tem medo da imigração? E preguiça de tirar o visto?

  1. Talita, muito bom seu post. As dicas vão ser bastante úteis para mim. Estou passando exatamente por essa fase de obtenção do F-1, estou aguardando o I-20 chegar, para então agendar o visto. Grande Abraço.

  2. Ola Talita Ribeiro!
    Adorei o seu post! Muito bom mesmo! Eu tenho uma duvida, eu acabei de fazer o visto de estudante (Russo)vou estudar la por 5 anos, ate 2018, sera que na imigracao eles vao perguntar onde eu vou ficar, no caso, moradia? Eu tenho a carta da universidade, e vou morar com um amigo durante todo o meu curso de 5 anos. Voce ve que eh um curso de longos anos…Como posso comprovar que vou ficar la na casa dele? Ou sera que eles vao pedir apenas o passport, visto e carta da universidade?

    • Olá, Hiago!

      Eu não conheço a Rússia, porém, acredito que sim, eles pedirão todos os comprovantes: matrícula na universidade – a carta que você tem já vale-, comprovante de moradia – que pode ser uma carta escrita pelo seu amigo, com o endereço e contatos dele -, de renda para se manter nesse período – bolsa de estudos? cartão de crédito? trabalho provisório? -, seguro saúde – não sei se é obrigatório na Rússia, mas vale confirmar com o consulado aqui no Brasil.

      Para se sentir mais seguro, indico sempre uma visita ou ligação ao consulado/embaixada para tirar todas as dúvidas. A universidade que te convidou para estudar lá também pode/deve te dar assistência nesse sentido.

      Beijo e boa viagem! :)

  3. eu tenho uma filha de 16 anos que está estudando na California numa escola americana e morando com amigos americanos. o Problema é que ela está com visto de Turista e preciso ter o visto de Estudante ou intercambio (J-1). Como turista tem um visto para 10 anos mas na hora de entrar deram para 6 meses. Ela precisa ficar estudando pelo menos 2 anos para aprender o inglês e continuar estudando na escola. qual a melhor maneira de conseguir este visto. A Escola está capacitada para emitir o formulário I20.

    • Olá, José Oscar!

      Como o caso dele é bem específico, aconselho que você ligue para a embaixada/consulado americano, explique a situação e peça para que eles te orientem o que deve ser feito.

  4. Olá, o que foi preciso para comprovar ao consulado que você irá voltar para o Brasil? Quais documentos usou?

    Att,
    Darlan Barbosa

    • Olá, Darlan! Quando tirei meu visto levei documentos como o comprovante de que eu tinha um trabalho fixo, que era casada, que tinha endereço fixo no Brasil e também que tive uma movimentação bancária de até x mil reais por mês durante o último ano (isso você pode pedir para o seu banco).

      Beijo e boa sorte!

  5. Oi talita , tenho visto de turista americano , então posso ir por uma escola estudar 20hpor semana e lá passar para intensivo ou semi intensivo?

    • Eu, sinceramente, recomendo que você faça as coisas de acordo com as regras estabelecidas pelo governo americano. Pode dar mais trabalho antes, mas garante total segurança e tranquilidade depois.

      Não é a toa que eu tirei o meu visto de estudante, apesar de ter o visto de turista com vários anos de validade.

      Com o visto de turista você só pode fazer cursos com até 20h por semana.

  6. Oi Talita, adorei seu post, super me ajudou!
    Mas tenho uma outra duvida: eu ja tenho o visto de turista e preciso tirar o de estudante, eu preciso pagar novamente a taxa do consulado de 160 dólares?
    Beijos.

  7. Ola, Talita me tira um duvida, tenho o visto de turista , se eu tirar o de estudante esse visto de turista fica invalido? ou ainda posso ficar os 6 meses que tenho direito mesmo quando acabar o curso de ingles?

    • Olá!
      Um visto não influencia no outro, porém, não são “cumulativos” em uma mesma viagem, ou seja, se você entrar no país com o visto de estudante, poderá ficar lá o tempo que estiver especificado nesse visto, se entrar com o de turista, pode ficar até 6 meses ou o tempo que o agente de imigração sinalizar no carimbo de entrada.

      Porém, após usar o seu visto de estudante e sair dos EUA, quando quiser retornar ao país, poderá utilizar o seu visto de turista normalmente.

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