Se perder é bom quando você pode se achar no caminho

Guias de viagem deveriam ser proibidos de falhar, mais do que isso, nunca poderiam te levar a um lugar que não existe mais. Mas se até as nossas lembranças o fazem, quem dirá um bloco de papel.

Tudo bem, eu perdôo, ainda que isso coloque em prova todas as outras informação lidas com tanta curiosidade e separadas cuidadosamente, para montar o “roteiro mais legal”. Que não existe, nem nunca existirá assim, pré-definido. As cidades, como a vida, oscilam e se transformam a cada dia. O melhor brunch de outrora agora é a mercearia que vende Yakult. Lição aprendida, mas e a fome?

Para não ter erro, pego o Foursquare e vejo o que estão comendo por ali agora. Em pouco tempo, ele me sugere panquecas, crepes, waffles… tudo funcionando e com fotos de pessoas que posso encontrar naquele exato momento.

Amo viver no futuro, mas também embarcar no passado. Pego o bonde na Market e subo toda a California. Desço no ponto final, o mais oeste que eu já fui, e saio andando sem destino até o mar. Ando, ando, ando, para descobrir que há casas maravilhosas desse lado do mundo, que a Golden Gate é realmente impressionante (e longe), que pelada de futebol americano não tem graça, que um passo após o outro pode me levar a um paraíso destoante e lindo.

Foto do Palace of Fine Arts, em San Francisco, Califórnia

Palace of Fine Arts, meu Jardim Secreto em SF

No Maps descubro que o museu do pai do Mickey está ali do lado, a 15 minutos a pé. Deixo o cansaço pra depois e embarco em uma viagem fantástica de memórias infantis. Todo mundo deveria poder se lembrar criança assim, só ouvindo a trilha sonora de um desenho ou rindo feito bobo com as hipopotamos bailarinas de Fantasia.

No ônibus, ainda sobre o efeito desse encantamento, fico extasiada olhando os bairros inexplorados (por mim) de San Francisco, quero descer sempre no próximo ponto, ainda que meu destino final esteja longe. Felizmente, o tempo é meu amigo e, aos poucos, vou desvendando uma outra cidade, invisível aos guias.

Capa do ebook Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio Clique aqui e conheça o livro Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

2 comentários sobre “Se perder é bom quando você pode se achar no caminho

  1. Amando os posts, Tali!

    Em NY, entendi com você e Marco a importância e lindeza do Foursquare <3 Hahaha, antes eu achava um app bobo, hoje vou direto nele quando quero saber onde encontrar um sorvete bom por perto, hahaha.

    Se perca e se ache, sempre. Estamos aqui esperando mais histórias.

    Beijos

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