Sobre-viver em dias de chuva

Tirinha de Denis o Pimentinha em que ele diz: Sabe o que é a névoa? Fumaça molhada.

Afinal, o que é um nevoeiro perto da nossa vontade de descobrir a cidade? (tradução do texto em inglês: “Sabe o que é névoa? Fumaça molhada”)

Lembra daquelas cenas de desenho em que o encarcerado rabisca risquinhos na parede, que representam o tempo que ele já passou na prisão? Sou eu com os dias cinzas. Nestas 3 semanas que estou fora de casa, sei de cór quantos dias eu não vi o sol brilhar e tive que encarar sensações térmicas congelantes, com a alta umidade do ar: QUATRO.

Mas antes que você pense que esse é um post de “#mimimi quero o verão brasileiro”, segue a receita do meu “remédio anti-monotonia”, que pode ser aplicado em San Francisco e adaptado a outras cidades:

Primeiro – Colecione novas cores

Escultura de uma cabeça com expressão de sofrimento

Não perca a cabeça, encontre outros olhares

O dia amanheceu como aquela famosa trilogia erótica, oscilando entre o branco, o preto e todos os tons intermediários? Borá procurar outras colorações! Como? Nas galerias de arte contemporânea, no início da Geary St. – no número 49 há um prédio cheio delas! -, ou na Sutter St. Não importa que você não compreende o porquê dos quadrados sob círculos ou os pássaros saindo de dentro da mulher, a intenção aqui é aumentar a sua paleta e afastar o cinza do dia.

Achou o programa hype demais e quer algo mais divertido? O Carton Art Museum está aqui para isso, para relembrá-lo que o amigo do Calvin chama-se Hobbes e não Haroldo, que Denis, o Pimentinha, é muito mais velho do que você imagina e que as cores nos quadrinhos demoraram à chegar, mas nem por isso eles eram menos engraçados – entendeu a mensagem? ;)

Segundo – Aqueça seu coração esvaziando (um pouco) o bolso

Sapatos, chocolatinho, revista de fofoca, a melhor água do mundo…

Sapatos, chocolatinho, revista de fofoca, a melhor água do mundo… receita anti-TPM ou anti-monotonia XD

A @aprendizdeviajante me disse que em inglês há um nome para isso,”Retail Therapy”, e funciona até em quem não é apaixonado por shoppings, como eu. Não é preciso gastar o que você não tem, mas funciona melhor quando é uma “bobeirinha”, algo que não é “necessário”, mas te deixa mais feliz. Não me entenda mal, isso não é uma “ode ao consumismo”, é só para lembrar que se dar um mimo, nem que seja um chocolatinho, é muito bom de vez em quando. E você merece, ainda mais em dias de chuva.

Uma loja cheia de coisas lindas e diferentes para quem ama quadrinhos (eu!) como Tintin e Asterix, a partir de US$10, é a Karikter, na Sutter. Ao visitar o espaço, com miniaturas, livros, copos, camisetas, bolsas, você já fica mais feliz. E, se não gostar de nada, coladinho com ela está uma loja de produtos design para casa. Se você encontrar algo útil e muito bonito ou inovador, está liberado para quebrar a regra da “bobeirinha”.

Terceiro – Se leve para jantar

Massa do tipo Ravioli em um prato

Este é o maravilhoso e obrigatório ravioli com gema mole perfeita e molho de trufas brancas

Em pleno 2013 você não pode depender mais de convites ou companhia para ir à um restaurante bacana – o que não quer dizer caro. Sabe aquele hamburguer que todo mundo fala bem, custa pouco, fica relativamente perto da sua casa, mas você não experimentou por pura “distração”? Então, essa é a hora de comê-lo, acompanhado do milk shake mais gostoso. Aqui em San Francisco esta é a descrição perfeita do Pearl’s Deluxe Burger. Ninguém dá nada pelo local, bagunçado, com poucas mesas, apertadinho, mas que serve um maravilhoso sanduíche com hamburguer de Kobe Beef ou Búfalo, por US$10.

Acha que o seu “encontro consigo mesmo” merece um cenário mais bonito, com entrada, prato principal, sobremesa e vinho? Vá ao melhor restaurante italiano da cidade, o Seven Hills. Mas se você não quiser comer no bar ou depender da sorte para conseguir um lugar, faça reserva antes. Cada passo para vencer a ladeira da Hyde St. será recompensado com massas artesanais, cobertas por molhos feitos com ingredientes orgânicos e fresquinhos, acompanhadas por uma carta de vinho com várias opções servidas em taça e atendimento muito simpático. Você gastará de US$30 à US$50 e sairá do restaurante com a sensação de que a temperatura está mais quente, que as nuvens não são tão densas, que a ladeira é um convite para sair rolando…

Brincadeiras à parte, o importante é se fazer companhia, não deixar que o dia te invada, mas sim, desvendar o que ele esconde em meio à neblina ou, como estou em San Francisco, ao tradicional “fog” (nevoeiro). A chance de se surpreender é grande e só depende de você ;)

Capa do ebook Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio Clique aqui e conheça o livro Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

Um comentário sobre “Sobre-viver em dias de chuva

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