Torcer vale a pena

Só quem já vibrou ou chorou em uma partida sabe o que é torcer de verdade. Não quem diz que torce, mas não fica, nem um pouquinho, chatiado quando o time perde ou está em uma má fase. Torcer vai muito além do racional. A gente pode até assumir que o time está ruim, mas no fundo, bem lá fundo, espera um milagre acompanhado de uma vitória.

Hoje eu vi e senti uma nova torcida nascer em mim. Tímida no início, mas cheia de “go, go, go” depois. É engraçado viver isso após uma libertadores, duas quedas para a série B e 5 copas do mundo. Mas, assumo, é muito, muito bom poder vibrar com um novo esporte.

No Ace’s, o melhor bar que eu já frenquentei, me juntei com uma massa de apaixonados por futebol americano, sim, aquele jogado com as mãos e a cabeça. Sentei em um banquinho no balcão, ao lado de um grupo de moças americanas, pedi uma Bud Light (a bebida horrível e oficial do NFL) e, a cada “defense, touchdown e field goal“, aprendi sobre estratégia e outras formas de torcer.

Senhor dançando em cima do balcão do Ace's

Senhor dançando em cima do balcão do Ace’s

Na minha frente, uma senhora negra dançava alegremente a cada possibilidade de ponto do 49ers, time de San Francisco. No meio do bar, um grupo de mexicanos torcia contra e vibrava a cada ponto do Atlanta, sem que ninguém os hostilizasse por conta disso. Um senhor japônes subiu no balcão ao fim da partida, para dançar “a dança da vitória”, ao som de um ótimo rap, seguido de “We are the champions“.

Observando cada um e o jogo emocionante, fui tomando gosto pelo esporte e, de coração, ficando feliz por estar de vermelho, a cor do meu novo time, em meio à pessoas que compartilhavam da minha nova paixão e, a cada ponto, comemoravam comigo, como se fossemos amigos de longa data.

Talita e Zoe, que usa um casaco com logo do 49ers

Eu e Zoe, com o “manto sagrado” do nosso time :)

Em uma dessas comemorações, Zoe, uma americana de 23 anos, quis saber o meu nome, de onde eu era, o que achei do jogo… Enfim, se aproximar. E começamos uma conversa que só terminou 2 bares e muitas cervejas depois, quando ela e Sofie, sua belíssima amiga designer de interiores, começaram flertes e eu, como mulher casada e esperta que sou, tirei o meu time de campo, para que elas aproveitassem “sem culpa” o resto da noite, com os sortudos rapazes.

O meu dia superou e muito o meu plano inicial: ir ao museu ver algumas obras asiáticas. Não que o programa planejado fosse chato, mas ter contato com os sentimentos das pessoas, com algo que as move, e poder vivenciar e compartilhar isso, não tem preço. Além de apresentar Gaiola das Popozudas para as gringas, em um “esquenta” na casa da Zoe, que também foi muito divertido… Daquele jeito! XD

Capa do ebook Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio Clique aqui e conheça o livro Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

5 comentários sobre “Torcer vale a pena

  1. Toca eu a descobrir qual é o principal adversário histórico dos 49ers, de preferência o mais favela, p/ começar a torcer p/ eles. Vc me dá um trabalho… Amo você :)

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