O Sal da Vida: viagens

Quando alguém me pede dicas de viagem, sempre penso em restaurantes, atrações, parques… Mas há algo difícil de compartilhar, por mais que eu deseje e tenha uma certa facilidade com as palavras, são experiências pequenas, particulares, difíceis de “explicar” ou “justificar”. Hoje um livro me fez ver que  vale a pena descrevê-las,  mesmo que pareçam bobas, mesmo que a gente não saiba ou queira explicar muita coisa. Lendo o “Sal da Vida”, da antropóloga Françoise Héritier, vi que essas “pílulas de prazer” são, de certa forma, universais e dispensam apresentações. Como ela descreve “Existe uma forma de leveza e de graça no simples fato de existir, que vai além das ocupações, além dos sentimentos poderosos e dos engajamentos políticos”.

Nas viagens, esses pequenos momentos que formam nossa paleta de cores, sabores e sensações, são mais fáceis de identificar e, principalmente, recordar. Por isso, compartilho com vocês alguns dos que eu recordei hoje, ao ler o livro e sorrir:

Colher cerejas, amoras ou morangos silvestres e dividí-los com pássaros, descobrir que estrelas tem cores diferentes, sair correndo para ver os primeiros flocos de neve de uma nevasca, tomar sol em um balanço, abrir e sentir o cheiro frutado de um vinho branco neozelândes ou francês, dar comida para esquilos, a emoção da decolagem e aterrissagem do avião, ver o pôr do sol sobre as nuvens ou no deserto, aprender uma palavra nova de um idioma desconhecido ensinada por um local, perceber que o sorriso é universal e abre portas, experimentar a melhor comida da sua vida a cada nova viagem, não ser a mesma…

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Sentir tanto prazer ao tomar banho num camping com ducha imensa ou em uma banheira de um hotel cinco estrelas,  achar que ouvir os sinos tocarem é sinal de sorte, mesmo em cidades com mais igrejas do que habitantes, aprender a negociar com comerciantes árabes, ver esculturas de Rodin, colecionar carimbos no passaporte, imaginar histórias para os locais no transporte público, tomar sorvete, conhecer mercados e feiras, ouvir uma orquestra ou um coral, receber um elogio ou paquera em outra língua, aumentar a coleção de arte de sua galeria interior, boiar no mar, rio ou lago, se apaixonar por flores, jogar moedas em fontes ou marcos históricos, se adaptar sempre e cada vez mais rápido…

Eu poderia ficar a noite toda listando esses pequenos prazeres, mas a ideia é incentivá-lo a pensar nas coisas que fazem suas viagens inesquecíveis e que não estão em guias, blogs ou nas dicas enviadas por amigos. Por que fazer isso? Para se sentir vivo, não apenas sobrevivendo, mas indo além, de forma íntima e pessoal. Quem topa? :)

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Capa do ebook Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio Clique aqui e conheça o livro Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

2 comentários sobre “O Sal da Vida: viagens

  1. Demais o post! =D De alguma forma eu fiquei com a sensação de ter embarcado por suas lembranças… Uma sensação de contemplar algo que não vi, nem muito menos verei, mas me senti presente apenas lendo, quase como uma experiência sinestésica hahaha Bem instigante, de verdade.

  2. Que legal esse post Talita!
    Em primeiro lugar fiquei curioso com esse livro que vc menciona, vou até buscar mais infos sobre ele; e só de pensar sobre estes pequenos prazeres já tive até mais algumas idéias sobre posts legais de viagens. Ou seja, respondendo seu chamado final do texto, topo :)
    abs

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