A Vendedora

Menina beduína vendedora de colares

“Seu lenço é lindo, posso arrumá-lo igual ao meu?”, pergunta a menina de olhos castanho profundos. Respondo que sim, consciente que aquela é a porta de entrada para uma venda. Em seu braço fino, ela leva dezenas de colares, que oferece aos vitantes de Petra, uma das Maravilhas do Mundo.

Em segundos, estou pronta, ela pede então pra tirar uma foto minha, assim, posso ver como ficou. Ou melhor, uma selfie nossa. Depois mais uma, com minhas amigas. Tento lembrar se ainda tenho notas pequenas, para uma gorjeta. Antes de chegar a uma conclusão, ela nos convida pra entrar dentro de uma caverna, “as cores lá são lindas”. Explico que tenho problema com tetos muito baixos e lugares fechados. Ela argumenta, em um inglês perfeito, que “há muitas janelas” e eu não ficarei sem ar. Dou um voto de confiança e a sigo.

Ela está certa, a caverna é realmente bonita e as cores da parede combinam com o tom de sua pele, cheia de sardinhas. Ela quer tirar fotos de todas e tem um olhar treinado. Digo que também quero fotografá-la e ela posa com segurança.

No fim, Aprileen oferece 5 dinares (R$20) pela companhia e a menina nega, diz que sua mãe a ensinou a trabalhar e não a “pegar dinheiro dos outros”. Sugerimos então que ela nos venda um colar nesse valor. Ela, como boa vendedora, diz que não tem nenhum produto por esse preço, apenas a partir de 7 dinares (R$ 28). Sei que os colares não valem nem metade disso, mas fico feliz com a reação dela e entro no jogo, dizendo que vamos embora sem comprar nada. A pequena beduína pensa um pouquinho e diz que pode dar um desconto, mas só no produto que ela escolher. Concordamos. Ao nos despedir, ela tenta diminuir o prejuízo, perguntando se posso dar um dinnar, como “gorjeta”, sorrio e lhe entrego mais 2 dinares (R$8), pela sua inteligência.

É claro que eu preferia que ela estivesse estudando e brincando, mas sei que, dentro do contexto dela, essa talvez seja a única opção. E ao fazer o seu trabalho com excelência e simpatia, ela desenvolve talentos que, torço, vão ajudá-la a mudar o jogo.

Para acompanhar os textos da viagem da Talita para o Oriente Médio, assine este blog preenchendo o campo de e-mail na coluna lateral. Não perca os próximos relatos!

Capa do ebook Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio Clique aqui e conheça o livro Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *