Aranhas

Você sabe se há algum significado ou simbolismo na bíblia para aranha? Perguntei para uma grande amiga, enquanto tentava entender porque, mais uma vez, havia sonhado com o aracnídeo. Há meses, quase semanalmente, eu as via enquanto dormia e também acordada.

Talita no Bazar de Erbil

Ela brincou, dizendo que no Google aparecia que era sinal de boa sorte e me mandou o testemunho de uma missionária chinesa, que ficou muitos anos presa sozinha em uma cela, por pregar o evangelho. Nele, a missionária contava como, através das teias que uma aranha tecia em seu cárcere, ela via a beleza de Deus e renovava a sua esperança. Achei a história bonita, fiquei refletindo se teria esse entendimento e fé – cheguei a conclusão que, provavelmente, não. Aquietei meu coração.

Hoje conheci novos amigos brasileiros aqui no Curdistão e, no nosso primeiro jantar juntos, fui surpreendida pela pergunta “você sabe a história da aranha marrom?”. Eu não sabia. Eles explicaram “o veneno dela é muito perigoso, porque faz gangrenar a região da picada”.

O casal, que mora no Oriente Médio há 20 anos, continuou: “Quando ficamos um ano no Brasil, depois de engavetar alguns projetos que tínhamos para essa região, nosso filho brincou com uma dessas na piscina e quase perdeu um dedo. Pior, ao levá-lo para o hospital, os médicos nos avisaram que os efeitos do antídoto poderiam ser mais perigosos que o veneno. E de fato foram, ele começou a inchar, ficar com o corpo todo vermelho. Ao sentir aquela ameaça real, decidimos orar. E Deus foi muito claro em sua mensagem: não existe lugar seguro no mundo, a não ser no centro da Sua vontade. Ali nós entendemos que era hora de voltar”.

Ouvi a história em silêncio, pensando em quantas mensagens uma aranha consegue tecer em suas oito patas. E em quantas ela ainda me trará.

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Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

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