Atentados

Representação de uma mesquita em cerâmica Acordei com o barulho do vento, batendo forte nas janelas de vidro, me chamando com seu uivo seco. Um arrepio na espinha, pêlos eriçados, frio, muito frio. Ligo o celular, com a vista ainda embaçada e, de repente, todos os amigos estão comovidos com os mortos de Paris. Procuro no Google a notícia e descubro que o ISIS fez novas vítimas na cidade luz.

Um dia antes, porém, o mesmo grupo matou mais de 40 pessoas e feriu outras 200 em um atentado em Beirut. E eu não li nenhuma linha de solidariedade às vítimas libanesas. Assim como, dificilmente, lerei depoimentos ou verei avatares em solidariedade às famílias iraquianas e sírias que terão suas vidas destroçadas com o contra-ataque que virá – ele sempre vem –, das forças militares internacionais.

Meu marido, um dia antes, estava em Paris. Eu estou no Oriente Médio. Sentimos e vivenciamos perspectivas diferentes de um mesmo momento histórico e triste. Ele conta com a empatia ocidental, tão seletiva quanto passageira. Eu tenho que lidar com a desconfiança, como se estar aqui fosse razão suficiente para “merecer” sofrer um possível dano, afinal, “eu procurei”, ao embarcar para essa região, ao decidir olhar de perto as vítimas dessa guerra. E amá-las.

Infelizmente, acredito que mais atentados ocorrerão nos próximos dias, aqui ou em um país cristão, porque o ISIS, mais que um grupo terrorista, é uma ideologia que cala fundo no coração de parte daqueles que “não importam”. E seu canto da sereia, de poder e vingança, tem conquistado cada vez mais adeptos. O mesmo canto que, no ocidente, justificará outra intervenção desastrosa.

Eu sinto muito pelas famílias parisienses, libanesas, sírias e iraquianas vítimas dessa guerra. E sinto por nós que, por fecharmos os nossos olhos para o que é diferente, não enxergamos o que nos faz iguais e humanos.

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Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

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