Curdistão

Visão ampla do mirante de Duhok, Curdistão IraquianoHá mulheres guerreiras no meio do Oriente Médio, que lutam na linha de frente contra o Estado Islâmico e têm os mesmos direitos que os homens. Ao ouvir isso, boa parte das pessoas me olha com surpresa. Na verdade, a maioria se quer sabe da existência dos curdos, povo que se concentra principalmente no norte de Síria, Iraque e Irã, e no sul Turquia. Não os culpo, há seis meses eu não poderia imaginar o quanto me apaixonaria pela história do Curdistão, principalmente pela que está sendo escrita agora. E foi por ela que decidi embarcar para um dos territórios mais arriscados do mundo, literalmente, em meio a uma guerra.

No meio do caminho, porém, os refugiados quebrantaram meu coração e eu decidi focar a minha atenção neles. Ou melhor, nelas, as meninas que vivem o dia a dia dos campos, as incertezas sobre o futuro e que guardam, de forma valente, a curiosidade e a esperança no olhar.

As bravas guerreiras entre os peshmergas (exército curdo) e do PKK/YPG (grupos armados da esquerda curda) estão envolvidas em duas grandes ações militares agora, para reconquistar totalmente o vale do Sinjar e Mosul, no Iraque, e a capital do ISIS na Síria, a cidade de Raqqa. Isso torna inviável o meu encontro com elas, mas só aumenta a minha alegria por estar aqui, tão pertinho, orando por cada mulher que tem a coragem de lutar pelo seu sonho de liberdade. E, consequentemente, por todas nós.

A presença delas no front reverbera para além do campo de batalha e fortalece as advogadas que brigam em Erbil e Suly, para acabar com a impunidade dos crimes de honra no país. Dá ânimo e justifica as milhares de vítimas que, em Dohuk, se recuperam após serem sequestradas e escravizadas pelos ISIS.

Me faz acreditar, cada vez mais, que somente as mulheres podem vencer o radicalismo e mudar a história dessa guerra. Que me desculpem Putin, Obama, Edorgan e François. Ou melhor, que nos peçam desculpas por tudo o que fizeram até aqui. E que o mundo acorde e perceba, nas lindas montanhas do Curdistão estão muitas das respostas e lições que a gente tanto procura.

Para acompanhar os textos da viagem da Talita para o Oriente Médio, assine este blog preenchendo o campo de e-mail na coluna lateral. Não perca os próximos relatos!

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Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

4 comentários sobre “Curdistão

  1. Oi querida! Muito interessante a abordagem e a forma como escreve. Eu também escrevo e achei que somos parecidos em certa medida. Torço pra que seu livro seja publicado e alcance muitas pessoas! Por enquanto é só o que posso fazer, lhe enviar minhas vibrações positivas e empáticas…rs

    Um grande abraço!!!

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