Porque guias de viagem são essenciais

Viajantes solo, como eu, costumam ter o mau hábito de subestimar a importância de um bom guia de viagem, aquele humano, não o de papel ou virtual. Normalmente, achamos que a pesquisa prévia nos torna imunes a necessidade de alguém que nos oriente. Que bobagem! Em minha viagem ao Peru, boa parte das histórias que ouvi não estavam nas páginas que li nos livros ou na internet, mais do que isso, mesmo as informações que coincidiam, pareciam mais interessantes e vivas ditas por um peruano, herdeiro daquela terra e dos quechuas, incas, waris…

Rehider, que tive o prazer de conhecer na entrada de Machu Picchu, além de me guiar pelas ruas da velha cidade, cujo nome “verdadeiro” se perdeu no tempo, me fez entender a grandiosidade dos sentimentos que moviam e inspiravam seus ancestrais, ao insistir que conhecesse um local pequeno e nada turístico, de frente para um lindo abismo, onde eu poderia “meditar” um pouco, mesmo não tendo esse hábito. Ali, sozinha, protegida de olhares curiosos por uma grande pedra de quartzo, que formava um tipo de caverna, vendo as nuvens sendo levadas pelo vento, revelando mais e mais montanhas, só me restou agradecer à Pacha Mama, debaixo dos meus pés, sustentando meus passo, e à Apu Illapu, que pingava lentamente e de forma ritmada da rocha ao chão e, vez em quando, bem no meio da minha cabeça. Ali, independente da minha religião, eu estava em um local sagrado e vivendo um momento mágico, que seria impossível sem Rehider. Quando eu sai para encontrá-lo a alguns metros dali, o sol brilhava como um deus e o guia, assim como eu, sentia um misto de espanto e gratidão pela “virada” no clima, que nos possibilitou tirar as fotos clássicas de Machu Picchu. Apesar de lindas, elas não traduzem a grandeza daquele lugar.

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No hotel, encontrei mais uma dessas jóias raras, que nos fazem vivenciar os lugares, ao invés de só observá-los. Santos deveria me apresentar apenas um pouco da flora do Inkaterra, mas foi além, me mostrou vários tipos de beija-flor e pássaros, me explicou sobre o processo de produção do chá, pacientemente, me deixou provar cada tempero e erva medicinal que encontramos no caminho, me falou sobre as frutas e pratos peruanos, riu do meu encantamento com os ursos andinos e tirou fotos minhas ao lado de uma de suas rochas sagradas. Sem falar nas histórias, místicas ou de uma realidade cortante, que ele me contou, como quem borda um tecido delicado. Terminamos o passeio falando sobre o futuro, sobre as mudanças que queremos viver nesse ano e a possibilidade de desbravarmos a trilha inca em uma outra viagem.

Sim, quando cruzamos com pessoas como Rehider e Santos, a vontade de voltar é sempre maior. Seja para comer aquela frutinha disponível apenas na próxima estação, ver as flores que ainda são apenas um botão, observar outros animais, ouvir detalhes sobre locais que passaram despercebidos… Vivenciar aquilo que somente um bom guia é capaz de nos apresentar.

Añaychay (obrigada em quéchua), Rehider e Santos! Sem vocês essa viagem não seria tão especial :)

Se você quiser conhecê-los, é só ficar no Hotel Inkaterra, para fazer o passeio com o Santos, e escrever um e-mail para o Rehider ([email protected]), garantindo um tour com ele em Machu Picchu :)

Capa do ebook Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio Clique aqui e conheça o livro Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

3 comentários sobre “Porque guias de viagem são essenciais

  1. Que post bacana, Talita! :)

    No retorno de minha última viagem, cheguei a esta mesma conclusão. No Deserto do Atacama, fechamos alguns roteiros em que o guia despejava informações e não rolava uma “química”, até aquele momento a sensação era de que mesmo com as informações, foi uma furada contratar um guia(apesar da obrigatoriedade para alguns dos roteiros). Porém em uma troca de horários por causa de uma tempestade de areia, houve a troca de guias e encontramos uma destas jóias que transformou totalmente a experiência e deixou um sentimento de que preciso voltar e conhecer mais a fundo alguns detalhes/lugares apresentados. Felizmente, tivemos a sorte da troca ter ocorrido.

  2. De fato, há Guias e guias… Quando visito os lugares gosto de mergulhar na cultura deles, saber como vivem, o que fazem, etc… Muitas vezes temos surpresa MUITO agradáveis.
    Parabéns pelo Post.

  3. Pingback: Passagens para o Peru a partir de R$ 785 • Passagens Aéreas

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