Lar

“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada…”, lembro da canção infantil ao pensar na situação de muitos refugiados sírios e iraquianos, desde àqueles que podem pagar um aluguel, mas não conseguem comprar móveis, até os que vivem em barracas improvisadas.

Corredor apertado entre 2 fileiras de barracas de refugiados, com um filete de água suja passando bem no meio

Na verdade, não há nada de engraçado em um lugar onde 26 famílias compartilham cinco banheiros e apenas um espaço para tomar banho, como no campo que abriga parte dos yazidis de Sinjar, região iraquiana que foi parcialmente recuperada pelos curdos, mas que ainda é muito perigosa.

Da mesma forma, não deve ser fácil viver com diversos parentes dentro de um contêiner adaptado, como no campo de refugiados cristãos em Erbil. E há ainda os que tiveram que invadir um dos inúmeros prédios inacabados do Curdistão e montar ali a sua barraca, feita quase sempre de lona e tapetes.

Na estrada, não é raro encontrar também as “estufas de gente”, com pessoas vivendo nas estruturas circulares, que antes protegiam as plantas do frio. No horizonte, os picos das montanhas já estão cobertos de neve e anunciam, a cada ventania, que o inverno está chegando e trará baixas temperaturas. Resta saber como ou se essas pessoas sobreviverão a ele, já que aquecedores são artigo de luxo para quem, muitas vezes, não tem nem o que vestir ou para onde ir.

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Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

Um comentário sobre “Lar

  1. Pingback: "Lar doce lar, onde ele está?": reflexões sobre refugiados - catavento*

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