Líbano

Cauda de avião com logo da Middle East Airlines

“Por que você está viajando sozinha? Onde está o seu marido? Você vai se encontrar com alguém aqui?”, essas foram apenas algumas das dezenas de perguntas que o coronel bigodudo do exército libanês me fez na salinha da imigração.

Respondi uma a uma de forma simples e direta. Não tinha nada a esconder, queria apenas aproveitar as cinco horas de conexão no país para conhecer o museu nacional e, quem sabe, comer um bom Homus. Ele não parecia convencido das minhas boas intenções, mais que isso, estava visivelmente incomodado com a minha presença.

“Qual é a sua religião? Cristã. Então você foi à Israel e Jordânia? Não, fiquei apenas na Jordânia. Por que uma Cristã não iria à Jerusalém?”. A pergunta era ótima, confesso, mas respondi de forma sincera. “Era caro e complicado ir pra lá nessa viagem e eu estava com amigos em Amã.”.

Minha vontade, porém, era contar sobre o tour que fiz no último ano e dizer que Israel era um dos lugares mais legais que já conheci e que achava uma bobagem essa coisa de que quem vai pra um não poder ir para outro. Ele pediu para passar minha mochila no raio-x, uma, duas, três vezes… Perguntei se não queria que eu a abrisse, ele balançou a cabeça negativamente. Ficamos longos segundos em silêncio, até que veio veredito:”você só poderá ficar na área de trânsito do aeroporto”. Respirei fundo, olhei ele nos olhos, sorri e agradeci. “Ficarei bem na sala VIP do aeroporto”.

Sai brava, mas feliz por ter mudado os meus planos de viagem há uma semana. Por ter ficado mais tempo na Jordânia, onde fui recebida tão bem desde o primeiro momento. Espero que, em breve, eu possa vir ao Líbano e não cruzar com um militar a cada 10 passos no aeroporto.

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Neste livro, a jornalista Talita Ribeiro conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares. “Refugiados no Oriente Médio” é o primeiro livro da coleção “Turismo de Empatia”, que nasce de questionamentos e curiosidades tão fortes que nos fazem sair da zona de conforto e entrar em um lugar desconhecido e sagrado: o coração do outro.

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